Segundo capítulo: "A cara de um assassino"
Passados alguns anos após a partida de Érick, Lisa
conservava a doce chama da paixão com a saudade que sentia pelo amado.
Ela tinha um cômodo perto de sua casa onde fez seu próprio
ateliê de corte costura, e ajudava sua mãe nas despesas da casa.
Com o passar do tempo germinava uma dúvida em seu coração
sobre o amor que Érick dizia sentir quando a deixou, mas mesmo assim trabalhava
incansavelmente acreditando que a cada gota de suor derramada era um passo a
menos de Érick.
Após vinte anos, Lisa passava por perto da casa de Custódio quando
sentiu uma insaciável saudade de Érick, lembrando-se das vezes que brincavam no
quintal da casa e esbanjavam gargalhadas todas as tardes que passaram juntos, desejava
saber notícias dele por Lúcia.
Batendo na porta, Lúcia atendeu e direcionou-a a sala de
estar, sentando-se as duas. Na mesma situação Custódio chegou surpreendendo-as
as com um olhar de ódio que logo em seguida complementou o gesto dizendo:
- Posso saber a razão pela qual a senhorita está na minha
casa? Referindo-se a moça com um ar de arrogância.
- Sim! Tenho o desejo de saber notícias de Érick, que não as
tenho a muitos anos. Respondendo com audácia ao homem.
- Pois saiba, meu filho se encontra casado com Janaína sua
prima, e juntos já tiveram dois filhos, até o dia de hoje não quis saber notícias
suas, agora por gentileza saia da minha residência, a porta é a serventia da
casa para “gentinhas” como você.
Nesse momento os olhos de Lisa se encheram de lágrimas não
crendo no que escutou e disse à Custódio:
- O senhor ainda vai ter o que merece, por fazer tanto mal
as pessoas. E saiu desconsolada correndo em direção a sua casa.
Lúcia descontente com a atitude de Custódio, tentou marcar
um encontro, num dia em que Custódio não estivesse em casa, para contar-lhe a
real situação de seu filho na cidade grande, e revelar o quanto o rapaz
perguntava e sofria por ela.
Logo na manhã seguinte do ocorrido, Lúcia mandou um menino
da vila entregar um bilhete a Lisa dizendo a hora e dia que poderia vir a sua
casa, mas logo que o menino saiu, se deparou com Custódio que voltava de uma
cavalgada e surpreendeu o menino perguntando o que escondia:
- O que carrega em suas mãos pivete?
- Nada meu senhor é somente uma lista de compras que minha
mãe me deu.
Desconfiado, tomou o papel do menino, ao começar a ler, não
disse nada e saiu em disparada até sua casa. Foi de encontro à sua mulher, em
um só movimento deu um brusco empurrão, fazendo Lúcia cair e bater a cabeça friamente
na quina da penteadeira.
Na mesma hora passava um conhecido da família, parou em
frente da casa e ouviu a voz de Custódio dizendo ao corpo já sem vida:
- Você achava que eu não desconfiava de suas tramoias com
aquela mulher?! Agora recebeu o que merece!
Ouvindo isso a pessoa saiu correndo à casa de alguns
conhecidos da família relatar o que ouviu na situação presenciada.
Por volta das nove e meia da noite, Custódio se recolhe para
seu quarto, ao fechar a porta passa um vulto, mas ele conclui que não era nada.
Trocando de roupa, ao se virar para ir em direção à cama, se depara com uma
pessoa e fica cara a cara, ele é apunhalado no peito com uma faca grande de
lâmina tão fina quanto um fio de cabelo. Foi o tempo de reconhecer o assassino
e desfalecer ao chão.
Lisa se preparava para viajar até a cidade grande, mesmo não
tendo o dinheiro suficiente, precisava se encontrar com Érick e saber o porquê
ele não cumpriu o prometido a ela quando se despediram à 20 anos atrás.
No caminho para a estação de ônibus, Lisa se deparou com um
homem simples como todos da vila, ele a perguntou:
- Por um acaso a senhorita conhece um casal que mora nessa
vila a muito tempo, eles se chamam Custódio e Lúcia?
- Conheço sim senhor. Disse Lisa.
Lisa indicou na medida do possível o caminho da casa dos
dois, mau ela sabia que era uns dos empregados de Érick e Janaína, que veio dar
notícias de como estava a família de Érick na cidade grande.
Uma hora e meia de viagem, e Lisa chegou a cidade, se
instalou em uma pensão, e não desconfiava que era posse do irmão de Janaína,
Jairo.
Érick e Jairo cuidavam dos bens da família, e sempre estavam
juntou em reuniões de negócio. Ao lado da pensão estava instalada a empresa da
família. Certo dia, Jairo, marcou uma reunião com Érick e outros senhores,
quando terminou a mesma, Lisa estava saindo da pensão a procura de emprego, e
deu de cara com Érick. Seus olhos brilhavam e transmitiam um passado recente,
que os mergulhavam em emoções.
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